Acordou, vestiu branco, foi operar e aí no meio da cirurgia “deu branco visual”? E depois do “branco”?  Veio o verde azulado ou o azul esverdeado e assim lá se foram os detalhes dos tecidos vermelhos? Calma, você não está ficando velho, não está ficando cego, não está com problema, pode ser apenas uma questão de escolha. Pode ser apenas uma questão de cor. Apenas uma questão de escolha de cores e seus “fantasmas”.

Como as pesquisas em neurociência podem explicar isso?

Poder trabalhar em um consultório bem planejado e decorado é realmente muito prazeroso. Entretanto, alguns cuidados complementares devem ser tomados no planejamento estético funcional da sala cirúrgica.

Um dos fatores muito importantes para quem trabalha com microcirurgia ou cirurgia é a cor do ambiente. Azul, verde, roxo, laranja, amarelo, branco, vermelho …. inúmeras são as cores de equipamentos presentes no mercado. Existe influência delas nos procedimentos clínicos? Assim também são os campos cirúrgicos, roupas de trabalho e jalécos que usualmente são brancos. Os campos cirúrgicos às vezes são azuis ou verdes. Qual é a sua escolha? Preço, facilidade de compra, kits específicos entre outros são critérios para escolha na hora da compra. Porém quais são os critérios mais importantes que podem interferir no rendimento clínico/cirúrgico?

Porque utilizar campos cirúrgicos azuis e ter uma sala clínica com tonalidades de azul em microcirurgia? Sem dúvida nenhuma a cor mais presente em uma cirurgia ou microcirurgia é a cor vermelha e seus diversos nuances. Estas tonalidades são cores complementares do azul e verde. Quando pensamos no espectro de cores, o vermelho está no extremo oposto do verde e do azul.

Quando olhamos para algo vermelho por muito tempo e depois para o branco, veremos a imagem que era vermelha em um tom azul-esverdeado. Faça o teste você mesmo! Isso é uma ilusão de ótica! Um ilusão de ótica denominada FANTASMA DE CORES COMPLEMENTARES.

Agora imagine o microcirurgião focado no microscópio e ao seu redor só campos cirúrgicos brancos, roupas brancas e objetos brancos. Nesta situação, contrariando as nossas fantasias da infância, os fantasmas da sala cirúrgica serão os únicos que não vão parecer brancos!

No século 20 foi proposta a utilização de jalécos e campos coloridos para tornar o ambiente mais confortável e sem interferências visuais durante as cirurgias.

Segundo o psicólogo, professor e pesquisador Werner J. da Universidade da Califórnia, o problema do uso do branco durante cirurgias vai além disso, além dos fantasmas verdes azulados. Ele relata que o rendimento e precisão do cirurgião pode ser negativamente afetada. Diz ele que quando focamos a visão em diversos tons de vermelho por muito tempo, nosso cérebro passa a ter problemas na interpretação destas variações de cores devido à uma dessensibilização temporária interpretativa. Desta forma o cirurgião perde precisão, perde capacidade de discernir estruturas de tonalidades muito próximas e no final, quem mais perde é o paciente.

O que fazer para reduzir ou eliminar este tipo de interferência? Ressalta o professor que olhar para algo azul ou verde reativa a sensibilidade interpretativa do cérebro para os nuances de vermelho. Portanto, olhando para o azul ou verde, o cirurgião pode voltar a oferecer o seu máximo para o paciente em tratamento.

 

 

Blantus Centro de Endodontia

Blantus Centro de Endodontia

 

 

 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=Werner%20JS%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=7769509

Mizokami Y1, Werner JS, Crognale MA, Webster MA. Nonlinearities in color coding: compensating color appearance for the eye’s spectral sensitivity.J Vis. 2006 Aug 31;6(9):996-1007.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=Webster%20MA%5BAuthor%5D&cauthor=true&cauthor_uid=17083291

Mizokami Y1, Paras C, Webster MA. Chromatic and contrast selectivity in color contrast adaptation..Vis Neurosci. 2004 May-Jun;21(3):359-63.