Durante um tratamento endodôntico não é possível esterilizar o sistema de canais radiculares. Felizmente, uma desinfecção à um nível compatível com saúde é o suficiente para reestabelecer a saúde do periápice e consequentemente do paciente. Esta desinfecção é obtida através do preparo cirúrgico (mecânico) associado ao preparo químico do sistema de canais radiculares. Com a tecnologia atual, estas duas formas de desinfecção devem andar de mãos dadas. Nenhuma das duas sozinha é capaz de alcançar, com previsibilidade, o nível de desinfecção necessário.

Um dos motivos para utilizá-las concomitantemente recai sobre as limitações de preparo mecânico produzido pelos sistemas de limas endodônticas. A literatura nos mostra que nenhum instrumento disponível hoje no mercado é capaz de tocar 100% das paredes dentinárias intracanais. Sendo assim, a irrigação tem um de seus papéis fundamentais no tratamento que é ajudar a suprir a deficiência dos instrumentos.

Esta deficiência no preparo cirúrgico dos canais é mais evidente em canais ovais. As limas endodônticas tocam menor quantidade de paredes dentinárias em casos com essa morfologia interna. Mesmo movimentos de pincelamento não conseguem melhorar de forma significativa o preparo nas regiões de maior achatamento.

Os istmos são áreas extremamente achatadas presentes nos canais radiculares (FIGURA 6). Em certos casos estes istmos são muito mais estreitos do que as mais finas limas endodônticas. O preparo mecânico desta regiões se torna limitado apenas com estes instrumentos manuais. Os instrumentos rotatórios de niquel titânio tão pouco conseguem tocar estar áreas pois são mais calibrosos do que as limas manuais.

Com a introdução da magnificação em endodontia aliada ao uso do ultrassom piezoelétrico, tem sido possível melhorar a limpeza destas áreas. O uso de pontas ultrassônicas com formato tronco-cônico e de pequeno diâmetro é a forma mais utilizada para esta finalidade. Todavia, o design tronco-cônico destas pontas também gera grandes dificuldades e limitações clínicas.

Em busca de novas ferramentas e alternativas clínicas complementares de limpeza, desinfecção e modelagem dos sistemas de canais radiculares ovais e extremamente achatados, várias empresas estão propondo diferentes instrumentos e cinemáticas de movimento.

Os molares superiores, em sua maioria, apresentam 4 canais. No Centro de Endodontia Blantus, onde trabalhamos com todas as tecnologias associadas como Microscopia Operatória, Ultrassom e Tomografia Cone Beam, temos uma porcentagem de 94% dos molares superiores tratados endodônticamente com 4 canais.

O protocolo do Centro de Endodontia não é o de realizar tomografia prévia ao tratamento endodôntico em todos os pacientes. A necessidade da realização deste exame complementar é estabelecida individualmente caso a caso. Todavia, se clinicamente em um molar superior, sem tomografia prévia,  não for localizado o quarto canal, sempre interrompemos o tratamento e realizamos o exame tomográfico para certificar-se da ausência do mesmo e para também avaliar melhor a anatomia dental interna e a presença de áreas achatadas e istmos. Com isso pode-se traçar a melhor estratégia para localização e tratamento do quarto canal ou mesmo, selecionar o melhor instrumento para a limpeza de regiões achatadas que irão estar presentes na ausência do MB2.

Recentemente, uma empresa Brasileira, inovou no design de pontas ultrasônicas criando uma ponta ultrassônica em forma de seta, a Flatsonic. Seu formato facilita a limpeza mecânica dos istmos. https://www.cialissansordonnancefr24.com/ Entretanto, existe uma grande preocupação em relação ao desgaste dentinário que estas pontas produzem.

Neste caso clínico de um retratamento endodôntico de um molar superior com 3 canais porém com o canal MV em formato achatado, foi possível observar pela tomografia trans-operatória que o inserto Flatsonic foi eficaz na modelagem da parte eliptica do canal MV sem levar à perda indesejada de dentina. Neste caso em específico, o uso deste instrumento associado à magnificação do microscópio operatório foi de fundamental importância para a obtenção de uma melhor modelagem endodôntica.

Obviamente, canais modelados desta forma não podem ser obturados por técnica de cone único. Assim sendo, o uso da técnica de injeção de gutapercha termoplastificada é um ótima opção. Para isso, foi utilizado o sistema de oburação Genesis da Meta Biomed. Este sistema é um sistema sem fio e que por este motivo, proporciona um fácil mansueio. Assista o vídeo e veja a sua utilização no caso clínico em específico.

Abraço

Vídeo do Caso Clínico Completo